Organização do Mundial de Vôlei na Itália deixa a desejar

Em quadra, Brasil x Espanha

Um ditado popular diz que “nem tudo que reluz é ouro”. Nada mais verdadeiro. Principalmente quando se vive na Europa a algum tempo e se percebe que muitas das coisas que imaginávamos fossem perfeitas no dito primeiro mundo, na realidade não o são. Um belo exemplo disso é o Campeonato Mundial de Vôlei, que desde sábado passado, está sendo realizado na Itália. Não estou me referindo de forma alguma ao nível técnico das partidas, mas sim à organização do evento. Tanto para as partidas como em relação ao aspecto organizativo do evento, minha análise se refere a uma pequena amostra que tive, no domingo passado, quando fui a Verona assistir as partidas da 2ª rodada. Cuba x Tunísia não foi muito empolgante, enquanto Brasil x Espanha foi um jogo de alto nível. Porém, no que se refere a organização do Campeonato Mundial, que é o objeto desse post, os italianos deixaram muito a desejar.

A começar pela venda dos ingressos. Era possível comprar ingressos nas tabacarias (que possuem estrutura similar as lotéricas no Brasil) e via internet, que, pela praticidade, foi o modo que escolhemos. Éramos em 3 pessoas, eu, minha namorada e um amigo. Embora tenhamos comprado ingressos para o mesmo setor, cada um de nós teve direito a uma cadeira em posição diametralmente oposta a do outro, ridículo. Óbvio que não ficamos nos lugares marcados, como acho que ninguém ficou, mas então, qual a lógica em oferecer lugar marcado? Se essa fosse a intenção, não creio fosse muito difícil para a organização do Mundial disponibilizar aos torcedores um mecanismo em que se pudesse visualizar o seu lugar no ginásio, mas nem precisaria tanto. Bastaria que o sistema de informática escolhesse lugares com numeração em sequência quando fossem comprados mais de 1 bilhete, muito simples. Ou então, simplesmente direcionar as pessoas para um setor e deixá-las escolher o seu lugar entre os ainda disponíveis, que foi o que na prática acabou ocorrendo. Pode parecer uma banalidade, mas é muito importante que o espectador de um evento esportivo saiba de forma clara qual é o lugar no ginásio ou estádio que é de seu direito.

Porém, em matéria de ticketing, ruim mesmo foi a solução encontrada para que os torcedores que haviam comprado ingresso válido para as duas partidas pudessem sair do primeiro jogo e voltar para o segundo. Ao entrar no ginásio para a assistir a primeira partida,


Meu pulso marcado, um dia depois.

o funcionário que conferia o ingresso, ao identificar que o mesmo tinha validade também para a segunda partida, te encaminhava para um outro funcionário ao lado, para que este lhe fizesse um “carimbo” no pulso (vide foto ao lado). Ora, convenhamos que um Campeonato Mundial poderia (e deveria) adotar outra forma para identificar o público! Ao invés de carimbar os torcedores, bastaria a organização do torneio colocar uma pulseira lacrada no pulso de cada espectador. Se a mesma fosse violada, não seria permitido o retorno ao ginásio. Além disso, a pulseira poderia levar a marca de um dos patrocinadores do campeonato, iniciativa que desta forma teria custo zero.

Já que acima mencionei o tema patrocínios, tive a impressão que o Comitê Organizador do Mundial foi pouco ousado na captação de apoiadores. Digo isso porque os patrocinadores do campeonato são em sua maioria grandes empresas italianas, mas que possuem um mercado muito concentrado no próprio território italiano (http://www.volley2010.com/sponsor.php). Alguém poderá indicar a TIM, que opera já a algum tempo no Brasil. Porém a empresa cortou muitos investimentos nos últimos anos e o Brasil talvez seja seu último grande mercado no exterior. Será que patrocinadores com atuação em grandes mercados não se interessariam por um evento de alcance mundial e do qual 24 nações participam (muitas das quais mercados expressivos)? Um eventual desinteresse talvez decorra de uma menor popularidade do esporte em outros países, diferentemente de Brasil e Itália por exemplo. Entretanto desconfio que o Comitê organizador, e a própria federação internacional, não tenham sido eficazes em transmitir ao mercado os valores positivos do esporte e o retorno que os eventuais patrocinadores poderiam ter.

O entorno do Palaolimpia, ginásio que recebeu as partidas em Verona, é  amplo e oferece um bom espaço, no qual patrocinadores poderiam expor produtos e realizar ações de ativação dos seus patrocínios. Alguns destes patrocinadores se fizeram presentes, mas de forma muito tímida, ladeando o corredor de acesso ao ginásio. O cenário lembrava muito a exposição de produtos coloniais em qualquer feria agrícola no Brasil.  O espaço contava também com uma praça de alimentação, mas extremamente pobre, e que ainda por cima enfrentava a concorrência de vários furgões e caminhonetes, transformados em lanchonetes improvisadas, que estavam posicionados na rua onde se localiza o Palaolimpia. Redes de vôlei sobre o cascalho,  sem que qualquer espectador fosse instigado a jogar, eram o retrato de um espaço ótimo, muito mal aproveitado pela organização do evento e patrocinadores.

Entrada do Palaolimpia

Mas não bastassem todos os problemas já mencionados, um outro fato também me causou estranheza. Talvez seja, inclusive, a prova definitiva de que este Mundial de Vôlei passou longe de ser um evento pensado e planejado em termos de desenvolvimento econômico para as cidades-sede e para uma maior divulgação do esporte em questão, o Vôlei. Os finais de semana para os italianos são sagrados para as partidas de futebol, esporte que, como no Brasil, reina absoluto na preferência nacional. E por acaso, justamente no domingo em que as partidas do Mundial de Vôlei eram realizadas em Verona, o Chievo, clube de futebol da cidade, jogava em casa contra a Lazio. Detalhe importante, é que o Palaolimpia e o Stadio Bentegodi são lado a lado. Penso que os organizadores do evento, e aí me refiro a Comitê local, Comitê nacional, Federação Italiana de Vôlei, Federação Internacional de Vôlei, poderiam ter ao menos tentado interferir junto a Federação Italiana de Futebol para que nas datas do Mundial não houvessem partidas de futebol nas cidades sede. Dessa forma, a cidade viveria um clima de “Campeonato Mundial” durante os dias de jogo, e o Vôlei também teria uma certa exclusividade esportiva neste curto espaço de tempo. O reflexo da falta de tais medidas foi que durante um pequeno passeio que fizemos no centro de Verona no início da tarde, sequer notamos referência ao evento que acontecia na cidade naquele final de semana. Um turista desavisado jamais suspeitaria que a cidade estava recebendo um evento de magnitude mundial naquele domingo.

Como disse no início do post, menos mal que as partidas foram ótimas! Quem foi não se arrependeu. Mas em termos de organização de evento, esperava muito mais desse Campeonato Mundial de Vôlei.

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Rugby, esporte de cavalheiros e espelho para o futebol

Henry Blaha, um jornalista norte-americano, apaixonado por Rugby, ainda no início do século passado disse:

“Rugby is a beastly game played by gentlemen; soccer is a gentlemen’s game played by beasts; football is a beastly game played by beasts”. (Rugby é um jogo animalesco jogado por cavalheiros; Futebol é um jogo de cavalheiros jogado por animais; Futebol Americano é um jogo animalesco jogado por animais).

Stadio Monigo, pouco antes da partida entre Benetton Rugby e Leinster, pela Magners Celtic League

Não vou entrar no mérito da segunda e da terceira afirmativas, com as quais não concordo. Porém, acho que nenhuma frase define o Rugby tão bem quanto esta primeira afirmativa. E pude comprovar isso na prática no último sábado aqui em Treviso, quando fui assistir uma partida da Benetton Rugby, time da cidade, contra os irlandeses do Leinster, pela Celtic League. Fui a convite de dois amigos, motivado muito mais pela curiosidade do que pela paixão pelo jogo. Até porque, não entendo bulhufas das regras do esporte. Durante a partida, meus amigos iam me esclarecendo algumas regras, mas era um pouco confuso. Vendo o entusiasmo dos quase 5 mil torcedores, confesso que me arrependi de não ter dado uma mínima olhadinha na wikipedia antes de sair de casa. Todo caso, algumas coisas que eu já sabia a respeito do rugby, realmente se confirmaram na prática. Como desejei que aquele ambiente pudesse se reproduzir da mesma forma no futebol. Quem sabe um dia!

Começando pelo pré partida. Enquanto nos acotovelávamos em meio a multidão com seus guarda-chuvas abertos (chovia pra caramba sábado) para comprar os ingressos e entrarmos no estádio, víamos ao nosso redor dezenas de torcedores irlandeses. Todos alí, devidamente fardados com as camisetas azuis do Leinster, misturados aos italianos, tomando sua cerveja, bem tranquilos e sem qualquer tipo de temor ou receio por estarem em meio aos adversários. Ao entrar no estádio, pequeno mas bem organizado e que conta somente com 2 lances de arquibancada de concreto nas suas laterais (uma com coberta e outra sem), fiquei procurando no visual qual seria o setor destinado aos irlandeses. Quanta ingenuidade a minha! Logo me dei conta novamente de que aquela era uma partida de rugby, esporte de cavalheiros, logo, os torcedores irlandeses não teriam problema algum em se misturar novamente os italianos, como acontecia até então no entorno do estádio. Detalhe: os lugares dos visitantes eram os cobertos. Afinal, no rugby, assim como na casa de pessoas civilizadas, os hóspedes são sempre muito bem tratados.

Com a partida iniciada, enquanto eu me debatia tentando entender um ou outro lance mais particular que não se limitasse a obrigatoriedade da bola oval ser passada para trás, alguns pequenos detalhes iam me chamando atenção. Lá pelas tantas, o Leinster atacava, atacava, mas não conseguia marcar um ”Try”, que no rugby, seria o equivalente ao touchdown do futebol americano. Ou pra ser mais didático, “apoiar a bola com uma das mãos no chão dentro da área de validação adversária, que corresponde a área após a linha dos postes”  (Wikipedia). Nesses casos, a equipe pode optar por tentar uma ”Conversão”, ou seja, tentar um chute em direção a trave em forma de “H” que fica na área adversária. O Leinster tentou algumas vezes, e conseguiu poucas. Mas não foi por falta de concentração, mas sim de pontaria mesmo, já que no momento de um ”Drop Goal”, o estádio inteiro se cala, seja pra equipe da casa como para a equipe adversária. “Respeito ao adversário”, me respondeu um dos meus amigos quando o questionei da ausência de vaias. Ainda durante a partida, outro momento interessante, e acho que foi o que mais me chamou atenção, foi quando o aglomerado de torcedores irlandeses resolveu começar a cantar. Estavam lá, em meio aos italianos, como mencionei acima, tentando dar uma força para os seus jogadores que incrivelmente estavam perdendo para a equipe da casa, que pela pouca tradição no rugby europeu, não era tida como favorita. No momento da cantoria irlandesa, a torcida da casa inteira se calou. E ao final da sua cantoria, aplaudiu. Algo surreal para alguém tão habituado as agruras do universo futebolístico.

No pós jogo, fomos para o bar anexo ao estádio. Alí acontecem os “terceiros tempos”, ou seja, o momento em que torcedores e jogadores de ambas equipes confraternizam. Jogadores vi somente quando o bar já estava fechando, e ainda assim, poucos. Provavelmente, as equipes confraternizaram em um espaço mais reservado, com pouco acesso a torcedores. Mas alí onde estávamos, novamente um clima de total amizade. A ponto de ter visto torcedor com camiseta do Leinster e boné da Benetton, algo inimaginável se estivesse falando de torcedores de futebol.

Tenho somente uma palavra pra concluir minha incursão rugbística: incrível! Como fã de futebol, sonho com o dia que possamos ter um clima semelhante nos nossos estádios! Ainda temos muito a evoluir em termos de organização e respeito as leis, mas sobretudo no saber vivenciar o esporte como entretenimento e congraçamento e não como guerra e divisão. Ah, e isso vale para os estádios no Brasil e na Europa também, não pensem que tudo aqui é perfeito (assunto para outro post).

Para concluir, 2 detalhes ligados ao marketing:

– A Celtic League possui um title sponsor, a Magners, fabricante de cidra. Portanto, o nome oficial da competição é Magner Celtic League.

– Lembram do “Match Program” do post anterior? Pois é, no Rugby ele também está presente, na mesma qualidade dos que conheci do futebol.

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Match Program

Match Program da última partida do Vicenza Calcio, de sábado passado.

Ontem a noite, enquanto navegava pela internet, vejo o seguinte post no twitter oficial do Palmeiras: Baixe o Presskit do jogo dessa quarta-feira contra o Grêmio no Olímpico! http://bit.ly/9rOw1z”. Cliquei no link, sabendo mais ou menos o que me esperava, um kit de imprensa, com todas as informações do jogo para os profissionais dos meios de comunicação. Muito bem produzido, diga-se de passagem, com muita informação sobre a equipe, elenco de jogadores, estatísticas. Cliquem no link acima e façam sua avaliação. Mas sobretudo muito semelhante em formato e conteúdo, a algo que eu só vim conhecer aqui na Italia mesmo, o Match Program.

O Match Program (ou Programa da Partida) é bem famoso por aqui. Segundo me contaram alguns colegas de Master, aqui na Italia praticamente todas as equipes de série B pra cima produzem o seu. A diferença para o Presskit do Palmeiras, é que ele é distribuído aos torcedores e não para a impressa. E não pense que é produzido com material de baixa qualidade, tipo jornal. Pelo contrário, os que tive oportunidade de ver eram com papel de boa qualidade. Para quem gosta de ler, é sem dúvidas uma boa opção para os momentos que antecedem uma partida. E sobretudo, uma boa oportunidade de marketing para as equipes, já que suas páginas não contam somente com as informações sobre a partida, mas também com anúncios dos patrocinadores da equipe.  Os clubes dessa forma, além de oferecer mais uma opção de informação aos seus torcedores, oportunizam aos seus patrocinadores visibilidade para suas marcas.

Peguemos um jogo do Palmeiras no Campeonato Brasileiro, por exemplo. Digamos que não seja uma partida de lotação máxima, e que o Verdão consiga levar de 10 a 15 mil pessoas ao seu estádio. Não sou um especialista em publicidade, mas esse mesmo público seria o potencial de visibilidade de marca que um eventual patrocinador do Palmeiras teria com um anúncio no Match Program do clube. Não me parece que seja um número ruim.

Em fevereiro passado, durante uma viagem a Toronto no Canadá, tive a oportunidade de assistir uma partida do Toronto Raptors da NBA. Também o basquete norte-americano faz uso do Programa da Partida. Entretanto, alí o Match Program era comercializado. Mas por módicos CAD 1,00 (um dólar canadense). Um preço insignificante para o torcedor em relação ao preço do ingresso. Mas sempre uma boa oportunidade de marketing para a equipe.

Não tenho dúvidas que o Match Program está longe de ser a solução para os problemas financeiros das equipes esportivas. Tampouco tenho a pretensão de apresentar fórmulas mágicas. Mas é claro que trata-se uma opção criativa na busca de patrocinadores. Mais do que isso, pode ser um primeiro passo em um relacionamento clube-empresa que poderá evoluir no médio ou longo prazo. Simples e de fácil implementação, é uma solução adaptável a qualquer realidade esportiva, desde aquelas de pequeno porte como um clube do interior gaúcho, até a de um grande clube do futebol brasileiro como o Palmeiras.

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Os fanáticos de Ancona

Semana passada dando uma passada nos posts mais recentes do Facebook, uma notícia postada por um amigo me chamou bastante atenção. Esse amigo, colega de Master, de Ancona, citava a estréia do time da sua cidade (também chamado Ancona) no campeonato italiano. Até aí, tudo normal. A não ser pelo fato do campeonato em questão ser, na hierarquia dos campeonatos italianos, o equivalente a uma série F!

E o que tem de mais nisso? Um time pequeno disputando uma divisão inferior e um post no Facebook de um torcedor desse time. O que chama tanta atenção?

É preciso contextualizar. Vou  explicar. O Ancona na temporada passada disputou a série B, competição bem mais em sintonia com sua história e tradição. É um clube de uma cidade de porte médio, capital da região de Marche. Como não pagaram a taxa de inscrição para o atual campeonato da série B (serie Bwin aqui na Italia), foram rebaixados. Aqui funciona desse jeito, não pagou é rebaixado. Porém, não retrocederam para a divisão imediatamente inferior, a C1. Tampouco para a C2. Desceram ao nível do “calcio amatoriale”, assim chamado aqui na Italia as divisões abaixo da C2.

A primeira divisão do futebol amador, que na realidade não é tão amador assim, é a Serie D. Mas não foi nessa que o glorioso Ancona foi parar. Eles somente conseguiram levantar fundos para disputar o “Eccellenza”, simplesmente o 6º nível do futebol italiano.

Mesmo assim, na estréia, jogando em casa, a equipe “doriana” se apresentou frente a cerca de 3000 torcedores!!!

Fanatismo? Amor ao clube? Sem dúvidas! No Brasil temos o exemplo do Santa Cruz, de passado glorioso, mas que hoje encontra-se no fundo do poço da série D (já eliminado diga-se de passagem). Porém o tricolor de Pernambuco é um clube de massa, de uma capital brasileira de grande população. Será que teríamos exemplos semelhantes no Brasil, em centros menores? Não creio. E desconfio que por essa e por outras, que os italianos são muito mais apaixonados por futebol que os brasileiros.

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Calendário do futebol brasileiro: os estaduais são os vilões.

O calendário do futebol brasileiro é tema constante de discussões.  Sua adaptação ao calendário praticado na Europa é com certeza o tema de maior debate. Contudo, desconsiderando a validade dessa adaptação ou não, essa simples mudança não resolveria os problemas do nosso calendário. Digo isso, justamente por ter feito um rápido e simples exercício de comparação. Peguei como ponto de partida a Inter de Milão, atual campeã européia, campeã italiana e campeã da Copa da Italia. Enfim, o time que venceu tudo que disputou na Europa na temporada 2009/2010. Entre as 3 competições vencidas, mais a Supercopa da Italia (perderam pra Lazio) que é sempre disputada em partida única, a Inter de Milão realizou um total de 57 partidas. Dessas 57 partidas, a equipe tinha certeza de que jogaria as 38 partidas do Campeonato Italiano (já que é disputado em turno e returno) e as 6 primeiras da fase de grupos da Champions League. As demais partidas jogadas foram resultado do sucesso que a equipe foi obtendo na Champions League (mais 7, totalizando 13) e na Copa da Italia (5 partidas), passando de fases, até chegar as partidas finais. Notem bem, 57 partidas para quem chegou ao máximo de tudo que poderia chegar.

Para efeito de confronto com o futebol brasileiro, peguemos o Internacional, que assim como o xará italiano, também venceu a sua competição continental, e, portanto, jogou o máximo de partidas possíveis. Para se tornar campeão da Libertadores 2010, o Inter teve que disputar um total de 14 partidas. Assim como na Italia, o campeonato brasileiro também é disputado em pontos corridos e por 20 clubes. Deste modo o Inter e cada uma das outras 19 equipes, ao encerramento do campeonato terá jogado 38 partidas.

Matemática simples: 14 + 38 = 52. Como os clubes brasileiros participantes da Libertadores não disputam a Copa do Brasil – e essa discrepância daria um outro longo post – o total de partidas em uma temporada pareceria bem razoável.

Exato, pareceria… pois a realidade brasileira é diferente da dos demais países. No Brasil temos os campeonatos estaduais. Durante o Gauchão 2010, o Inter disputou 22 partidas. Poderia ter sido 24, tivesse chego a final do 1º turno. De qualquer modo, a conta muda. As 52 razoáveis partidas se transformam em 76. Some-se ainda os 2 jogos que o Inter disputará pelo mundial de Clubes, chegaremos ao incrível número de 78 jogos em um ano.

Tinha o costume de criticar técnicos e jogadores que reclamavam do número excessivo de jogos, mas após fazer esta rápida análise lhes dou total razão.

Mas então, qual seria a solução? Acabar com os estaduais, seria uma solução muito simplista. Substituí-los por copas regionais, possivelmente seria trocar seis por meia dúzia. Somente é possível dizer que temos hoje no Brasil em torno de 12 clubes grandes em termos de status, títulos e torcida graças aos campeonatos estaduais. São esses campeonatos que dão a clubes tradicionais a oportunidade de sagrarem-se campeões com certa periodicidade, sustentando assim a paixão de seus torcedores. Em via de regra, clubes grandes são feitos de títulos. Mesmo que até mesmo os torcedores não se deem conta disso muitas vezes.

Dito tudo isso, por mais maléficos que sejam hoje na elaboração de um calendário minimamente racional, os estaduais são um mal necessário. Talvez sua simples extinção poderia ser a chave para solucionar os problemas que temos com o calendário. Porém, no longo prazo, os inevitáveis jejuns de títulos que algumas equipes tradicionais poderiam sofrer, influenciaria certamente no equilíbrio que temos hoje, e que certamente é um dos pontos fortes do Campeonato Brasileiro. Sua imprevisibilidade, inclusive, é um fato muito mal aproveitado pelos dirigentes em matéria de marketing. Os estaduais devem ser readequados. Os grandes clubes deveriam jogar somente as fases finais. Talvez até em jogos eliminatórios. Mas enquanto continuarem sendo priorizados no calendário, pelos mais diversos motivos, continuarão sendo os grandes vilões do futebol brasileiro.

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Olá!

Bom dia! Ou boa tarde, dependendo do continente em que você estiver. Sou brasileiro, mas vivo na Europa, mais precisamente na Italia, a quase 2 anos. Nesse espaço, procurarei expor meus pontos de vista, idéias, vivências sobre tudo que se relaciona ao Marketing e a Administração Esportiva. Espero que gostem e que possamos também interagir! Abraços!

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